Como a ENA é projetada e o que os anos similares acrescentam
O modelo projeta a ENA de cada subsistema para os próximos 12 meses a partir do estado atual dos rios. Ao lado dele, os anos com ENSO mais parecido com o de hoje dão um segundo cenário, que pesa mais no Sul e no Norte quando o El Niño é forte.
Em uma tela
Média dos últimos 30 anos
Cada mês é comparado com a média do mesmo mês nos 30 anos anteriores, e não com a MLT de 1931–2024: o normal mudou.
Persistência ajustada
A anomalia dos últimos 3 meses é levada adiante com a memória medida em 95 anos, para cada mês do ano e cada antecedência.
Dois blocos
SE-sul (Paranapanema, Tietê, Paraná) e SE-resto são projetados separados e somados em MWmed.
Anos similares
Os 5 anos com ENSO mais parecido repetem sua ENA sobre o normal de hoje. Ao lado do modelo, sem alterá-lo.
Passo a passo
Dados e corte de informação
A série de ENA vem do ONS: a série oficial de 1931 a 2024, que aplica o parque de hoje a todo o histórico (e por isso compara anos de forma justa), emendada com a ENA diária de 2025 em diante. O clima vem da NOAA. Cada rodada só usa o que estava publicado no fim do mês da emissão.
Detalhe técnico
- ENAPlanilhas "Histórico de ENAS" do ONS (subsistema e 23 bacias, 1931–2024) e ENA bruta diária
(
ena_subsistema_di,ena_bacia_di) agregada no mês desde 2025. % da MLT sobre a MLT vigente (ONS, 28/03/2026). - ConferênciasMLT do PDF = média 1931–2024 da planilha (diferença ≤ 0,01%). Planilha × diária em 2023–2024: erro médio de 0,3% a 2%. Na planilha, o Paraná é acumulado (inclui Grande, Paranaíba, Tietê e Paranapanema); o estudo usa o incremental, e assim as 23 bacias somam o SIN.
- ClimaERSST v6 (a mesma base do ONI do CPC): Niño 3.4 relativo (tipo RONI), Atlântico, Índico; PDO da NCEI. O Niño 3.4 calculado reproduz o ONI com correlação de 0,98 e o RONI com 0,999.
- CorteTestes automáticos confirmam que a previsão de uma emissão não muda quando se alteram dados posteriores a ela, e que uma rodada publicada nunca é recalculada.
O normal: média dos 30 anos anteriores
A MLT é a média de 94 anos, mas o patamar mudou: o normal do Nordeste caiu de 112% da MLT (até 1990) para 73% (1995–2024), e o do Sul subiu de 83% para 114%. Por isso o modelo mede tudo contra a média do mesmo mês nos 30 anos anteriores à emissão. Nos testes, essa troca sozinha melhora o Nordeste em 10% sobre usar todo o histórico.
Modelo-v1: persistência ajustada
Um período úmido forte deixa a seca seguinte alta (correlação de 0,85 no Nordeste e 0,67 no Sudeste): a água no solo e nos rios demora a escoar. O modelo mede quanto da anomalia de hoje sobrevive em cada antecedência, separadamente para cada mês do ano, e a leva adiante. A faixa vem dos erros que essa mesma regra cometeu no passado.
Detalhe técnico
- Ajustea e b por mínimos quadrados, um par por mês de emissão e antecedência h (1 a 18), com todas as emissões anteriores do mesmo mês cujo alvo já é conhecido (~90 pares). Refeito a cada rodada.
- FaixaOs membros são o ponto mais cada resíduo histórico do ajuste; a média dos membros é o número publicado, e p10–p90 a faixa. Cobertura medida da faixa p10–p90: 70% a 78% (o ideal seria 80%).
- Código
modelo_v1.py; versão congelada, verificada portests/test_modelo_v1.py.
O Sudeste em dois blocos
No El Niño, as bacias do sul do Sudeste (Paranapanema, Tietê e Paraná) enchem junto com o Sul, e as do norte (Grande, Paranaíba) não respondem. No agregado, uma metade anula a outra. O modelo aplica a persistência a cada bloco e soma em MWmed; a página mostra o SE agregado e a contribuição de cada bloco.
Anos similares e recomposição
Os anos similares são os 5 anos, na mesma fase do ENSO, cujo Niño 3.4 estava mais perto do de hoje em nível e em subida, na mesma época do ano. A recomposição pega a ENA que cada um teve em relação ao normal da época e aplica sobre o normal de hoje. Ela não usa o estado atual dos rios: responde à pergunta "e se este ano repetir os parecidos?".
Detalhe técnico
- EstadoN = Niño 3.4 relativo médio dos 3 meses até a emissão; ΔN = variação de N em 3 meses. Distância euclidiana em (N, ΔN) padronizados pelos candidatos.
- CandidatosAnos anteriores com os 18 meses seguintes conhecidos e na mesma fase: N ≥ 0,5 se hoje é El Niño; N ≤ −0,5 se La Niña. Sem a restrição de fase, anos neutros entravam entre os vizinhos e a recomposição piorava.
- Código
similares.py.
Camada de El Niño forte
Quando o Niño 3.4 relativo passa de 1,5, a página mostra para que lado a persistência errou nos El Niños fortes anteriores. Ela ficou baixa no Sul em 6 de 6 eventos e no SE-sul em 5 de 6, e alta no Norte em 6 de 6. A direção é confiável, o tamanho não (no Sul, de +15 a +166 pontos), e por isso a camada não altera o número.
Atualização com o mês em curso
A rodada é emitida no fim do mês, mas os dias do mês seguinte chegam todo dia. Com 20 dias observados, a média parcial já erra o mês inteiro em só 6% no Sudeste. A página usa esses dias: estima o mês em curso pela média parcial, corrigida pelo padrão do mesmo mês nos anos anteriores (em outubro, o fim do mês costuma ser mais úmido que o começo), e reemite o modelo-v1 a partir dele. Em 2000–2025, isso reduziu o erro do mês em curso em 63% a 71% e o do mês seguinte em 4% a 11%, em relação à rodada do fim do mês anterior. A rodada continua registrada como estava.
Rodadas e modelo-sombra
Cada rodada fica registrada com a previsão, os insumos e as variantes em teste, e nunca é recalculada. Como desde 1950 só houve 5 El Niños fortes, os ajustes com clima que mostraram ganho em parte dos subsistemas ficam em teste ao vivo neste evento: o ajuste por anos parecidos no Sul (T2) e no SE-sul (T3), o modelo com ENSO e Atlântico no Norte (T7) e a recomposição pelos anos similares.
Exemplo com números: SE-sul, rodada de set/26, previsão para out/26
Os anos similares para o mesmo mês
| Ano | ENA em outubro (% MLT) | Normal da época | Razão | Sobre o normal de hoje |
|---|
Desempenho
Cada previsão de 1961 a 2025 foi refeita como se fosse feita na época, só com os dados que existiam. A régua é a climatologia dos últimos 30 anos; o CRPSS mede quanto o erro probabilístico cai em relação a ela (acima de 0, ganha).
| Ganho sobre a climatologia de 30 anos, 1 a 6 meses | Sudeste | Sul | Nordeste | Norte |
|---|
Negrito azul: intervalo de 90% acima de zero (reamostrando anos). Climatologia histórica = média de todos os anos desde 1931.
Ganho do modelo-v1 sobre a climatologia de 30 anos por antecedência. O horizonte útil é de cerca de 5 meses no Sudeste, 9 a 12 no Norte e 1 a 2 no Sul; no Nordeste, mais longo, mas puxado pela queda de patamar. O próximo período úmido (13 a 18 meses) não tem habilidade, exceto no Nordeste.
Onde os anos similares merecem mais peso
| Recomposição contra o modelo-v1, 1 a 6 meses | Sul | Norte | SE-sul | SE agregado | SE-resto | Nordeste |
|---|
Em El Niño forte, intervalo reamostrando os 8 eventos (|N| ≥ 1,5 desde 1961). No Sul e no Norte, a recomposição ganha do modelo-v1; no Sudeste e no Nordeste, o estado atual dos rios pesa mais.
O que foi testado e não entrou
Cada ideia foi testada contra a persistência, uma de cada vez, com o critério de aceite escrito antes de rodar. O padrão foi o mesmo: o clima ajuda no Sul e no Norte nos eventos fortes, e atrapalha no Sudeste e no Nordeste.
| Teste | O que mudou | Resultado (1 a 6 meses) | Decisão |
|---|---|---|---|
| B1 | Análogos (7 anos parecidos em ENSO e estado dos rios) no lugar da persistência | Sul +2,8%; Sudeste −5,5%, Nordeste −4,1% | não entrou |
| T1 | Persistência corrigida pela média dos erros dela em 7 anos de ENSO parecido | piora os 4 subsistemas (−2% a −5%) | não entrou |
| T1b | Persistência + termo linear de ENSO | Sul em out–dez +6,7%; resto ≈ 0 ou negativo | não entrou |
| T2 | Correção do T1 só com El Niño forte (limiar 1,5) | Sul +9,0%; Sudeste −6,7% | modelo-sombra no Sul |
| T3 | Sudeste em dois blocos, correção só no SE-sul | dividir: +0,5%; corrigir o SE-sul: −4,0% | blocos adotados; correção no modelo-sombra |
| T7 | Persistência + ENSO, Atlântico, PDO e Índico com encolhimento | Norte +1,9% (+9,5% em El Niño forte); demais ≈ 0 | modelo-sombra no Norte |
| T8 | T7 nos dois blocos do Sudeste | −1,2% | não entrou |
| Similares | Recomposição pelos 5 anos na mesma fase do ENSO | El Niño forte: Sul +15%, Norte +13,5%; SE e NE perdem | cenário ao lado do modelo |
| Similares ancorada | Recomposição partindo do mês em curso e seguindo a variação de cada ano similar | pior que a recomposição pura no SE (−17%), no Sul (−38%) e no Norte (−20%); só ajuda no 1º mês no NE e no N | não entrou; a recomposição pura segue em todos os meses, inclusive o mês em curso |
| Mês em curso | Modelo-v1 reemitido com o mês parcial estimado pelos dias observados | mês em curso +63% a +71%; mês seguinte +4% a +11% | adotado: é o número principal da página |
Limitações
- Poucos eventosSó 5 El Niños fortes desde 1950 pelo índice relativo (1965, 1972, 1982, 1997, 2015). Qualquer ajuste específico para eles é estimado com muito pouco; 2026 pode passar do máximo histórico (1,92), fora do que o histórico viu.
- Faixa estreitaA faixa p10–p90 do modelo-v1 cobre 70% a 78% dos casos, um pouco abaixo dos 80% esperados.
- Norte por baciaTocantins e Amazonas são divididos entre Norte e Sudeste, e o ONS não publica a parte de cada um: o Norte não é aberto por bacia.
- RevisõesO ONI e a ENA são revisados depois de publicados; o histórico usa os valores revisados, uma aproximação do que se sabia em cada data.
- PatamarA queda do Nordeste e do Sudeste desde os anos 1990 não está explicada no estudo (seca, usos consuntivos, uso do solo); o normal de 30 anos acompanha a mudança com atraso.
- ÍndiceA fase do ENSO usa o Niño 3.4 relativo (tipo RONI). Pelo ONI tradicional, 2023 seria El Niño forte; pelo relativo, moderado.
Rodadas
| Emissão | Registrada em | Versão | Tipo | Regime do ENSO |
|---|
A rodada de um mês é registrada depois do fechamento, quando a ENA e a temperatura do mar daquele mês estão publicadas (por volta do dia 5).
Versões
| Versão | Data | O que é | Por quê |
|---|---|---|---|
| modelo-v1 (vigente) | 21/10/26 | Persistência ajustada em N, NE e S; Sudeste em dois blocos somados. | Única estrutura que ganhou da climatologia fora da amostra nos 4 subsistemas (1 a 6 meses: Norte +11,5%, Nordeste +19,3%, Sudeste +13,1%, Sul +0,3%). |
| anos similares | 22/10/26 | Cenário de recomposição pelos 5 anos na mesma fase do ENSO, ao lado do modelo. | Ganha do modelo-v1 no Sul e no Norte em El Niño forte. |
| atualização diária | 22/10/26 | Modelo-v1 reemitido com o mês em curso estimado pelos dias observados. | Mês em curso 63% a 71% melhor e mês seguinte 4% a 11% melhor que a rodada do fim do mês anterior (2000–2025). |
Glossário
- ENA
- Energia natural afluente: a energia que a vazão natural dos rios produziria nas usinas, em MWmed.
- MLT
- Média de longo termo: média da ENA de cada mês de 1931 a 2024, na configuração atual do parque (ONS, 28/03/2026).
- Normal de 30 anos
- Média do mesmo mês nos 30 anos anteriores à emissão; a referência do modelo.
- Persistência ajustada
- O modelo-v1: leva a anomalia atual adiante com a memória medida no histórico, por mês e antecedência.
- Niño 3.4 relativo
- Anomalia de temperatura do mar no Pacífico central menos a média dos trópicos (a ideia do RONI do CPC). Forte ≥ 1,5; moderado 1,0–1,5; fraco 0,5–1,0; La Niña ≤ −0,5.
- Anos similares
- Os 5 anos na mesma fase do ENSO com Niño 3.4 mais parecido em nível e subida, na mesma época do ano.
- Recomposição
- A ENA dos anos similares aplicada sobre o normal de hoje.
- SE-sul / SE-resto
- Paranapanema, Tietê e Paraná incremental / o restante do Sudeste.
- CRPS / CRPSS
- Erro de uma previsão com faixa, que pune tanto errar o centro quanto errar a largura. CRPSS = 1 − CRPS ÷ CRPS da referência.
- Fora da amostra
- Previsão feita só com dados anteriores à data prevista, como teria sido feita na época.
- Modelo-sombra
- Variante registrada a cada rodada para comparar com o realizado, sem ser a projeção oficial.